Ventania extrema provoca apagão em São Paulo e expõe fragilidade do sistema elétrico
Ventos fortes atingem a cidade
Uma ventania intensa atingiu a capital e a Grande São Paulo na manhã desta quarta-feira (10). Além disso, as rajadas chegaram a 98,1 km/h na região da Lapa, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A força do fenômeno derrubou árvores, interrompeu serviços e causou um grande apagão, que deixou mais de 2 milhões de imóveis no escuro. Como resultado, bairros inteiros enfrentaram horas de instabilidade.
Origem do fenômeno
A Defesa Civil explicou que os ventos fortes vieram de um ciclone extratropical formado no Sul do Brasil. Em seguida, o sistema avançou para o Sudeste e ganhou força ao chegar à região metropolitana de São Paulo. Por causa disso, a rede elétrica sofreu impactos significativos e perdeu estabilidade, o que ampliou o apagão. Ou seja, o fenômeno meteorológico encontrou uma estrutura frágil e intensificou o problema.
Impacto na rede elétrica
A Enel informou que 2.242.804 clientes ficaram sem energia até as 21h41. Mais de 1,5 milhão desses consumidores vivem na capital. Portanto, um em cada quatro imóveis atendidos pela concessionária enfrentou o apagão.
Além disso, bairros como Pinheiros, Mooca, Sumaré, Berrini e várias áreas da Zona Norte sofreram longas horas sem fornecimento. Objetos e galhos arremessados pelos ventos atingiram cabos, transformadores e estruturas da rede e, consequentemente, ampliaram os danos.
Ocorrências na cidade
O Corpo de Bombeiros recebeu 1.378 chamados para quedas de árvores. Logo após os primeiros atendimentos, a corporação identificou 151 árvores bloqueando vias importantes. Como consequência, diversas regiões enfrentaram transtornos no trânsito e risco para pedestres. Apesar disso, apenas quatro pessoas sofreram ferimentos leves, o que reduziu a gravidade do cenário humano.
Serviços afetados e caos no trânsito
O apagão prejudicou serviços essenciais. O Hospital São Paulo, na Vila Clementino, permaneceu sem energia desde a noite anterior e, por isso, precisou cancelar consultas e reorganizar parte dos atendimentos.
Enquanto isso, semáforos apagados e vias bloqueadas criaram mais de 900 km de lentidão. Além de atrasar deslocamentos, os congestionamentos aumentaram o risco de acidentes e paralisaram o fluxo de ônibus urbanos.
Pressão sobre a concessionária
O prefeito Ricardo Nunes afirmou que cobrará ações da Aneel e da Justiça para avaliar novas medidas. No entanto, ele destacou que apagões semelhantes ocorrem desde novembro de 2023, o que indica reincidência. Por isso, segundo ele, a cidade não pode continuar vulnerável e precisa de soluções mais consistentes.
Um alerta para o futuro
O episódio reforça um aviso importante: cidades dependentes apenas da rede convencional ficam mais expostas a apagões quando enfrentam fenômenos climáticos extremos. Além disso, a situação reacende discussões sobre alternativas de geração distribuída e maior autonomia energética. Por fim, o evento mostra que São Paulo precisa se preparar melhor para cenários climáticos cada vez mais frequentes.